Blog da Turma do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, Bagé, RS - 1976. Da Admissão ao Ginásio (1969), passando pelo Curso Ginasial (1970-1973), Curso Científico (2º Grau)(1973-1976) e um pouco mais além.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
SERIADO 'KUNG FU' (ABERTURA)
Fonte: YouTube.
Se não me engano, era nas noites de quarta-feira que o seriado passava na televisão.
Muitos de nós não perdia um episódio, comentado no dia seguinte na hora do recreio.
OS ALQUIMISTAS ESTÃO CHEGANDO (JORGE BEN) (19/05/1974)
Fonte: YouTube.
Nós ouvimos e curtimos muito esta música.
'Os alquimistas estão chegando', cantada por Jorge Ben (antes de se tornar Jorge Benjor), em 19/05/1974, para o Programa 'Fantástico' da Rede Globo de Televisão, coincidiu com o início dos nossos estudos de Química Geral.
Ouvindo a música, nos reportamos ao estudo da Química.
sábado, 24 de novembro de 2007
NA VITROLA
Fonte: YouTube.
Era na vitrola que escutávamos nossas músicas usando discos de vinil.
A música reproduzida aqui é 'Amazing Grace', composta pelo inglês John Newton, por volta de 1782, e executada em gaita de fole por 'Royal Scots Dragoon Guards" em 45 rpm.
A letra da música diz o seguinte:
"AMAZING GRACE"
Amazing [x4]
Amazing grace
How sweet the sound
That saved a wretch like me
I once was lost
But now am found
Was blind but now I see
Amazing grace
Shall always be my song of praise
For it was grace that brought my liberty
I'll never know
Just why Christ came to love me so
He looked beyond my faults and saw my need
Hallelujah [x4] "
(Fonte:http://letras.terra.com.br/eternal/147455)
Ou traduzido:
"* Sublime graça
1. Sublime graça que alcançou
Um pobre como eu,
Que a mim, perdido e cego achou,
Salvou e a vista deu!
2. De vãos temores e aflição
A graça me livrou
E doce alívio ao coração
Em Cristo me outorgou.
3. Se lutas vêm, perigos há,
Se é longo o caminhar,
A graça a mim conduzirá
Seguro ao santo lar.
4. A Deus, então, adorarei
Ali, no céu de luz,
E para sempre cantarei
Da graça de Jesus."
(Fonte da letra:http://rodomar.blogspot.com/2007/09/histria-de-john-newton-e-amazing-grace.html)
RIVELINO

Por Sergio Fontana
A Copa da Alemanha - a de 74, não a de 2006 – não teve o resultado que todo o Brasil esperava apesar de lá estarem presentes os maiores jogadores do futebol brasileiro da época.
Um encontro com o carrossel holandês – apelido da seleção da Holanda, que apresentou um futebol veloz e dinâmico, sustentado por excelente preparo físico, onde os jogadores trocavam de posição o tempo todo, atacavam e defendiam em bloco – tirou a nossa seleção da final, e a falta de motivação na disputa pelo terceiro lugar com a Polônia, nos empurrou para um modesto quarto lugar.
Roberto Rivelino, meia-esquerda criado no S.C. Corínthians Paulista, foi o capitão da seleção canarinho. Ele se destacava pela personalidade e chute (só de canhota) fortes, pelo futebol elegante e também pelo seu vasto bigode, digno de um bandoleiro mexicano. Era moda, no Brasil, um bigode daqueles, assim como era moda “cultivar” largas costeletas (suíças), a calça boca-de-sino, o cinto de couro um pouco mais largo, a corrente com medalhão de “Y” invertido (símbolo de paz e amor) pendurada no pescoço, o sapato – meio esquisito para homem - de plataforma, o cabelo comprido ou, dependendo da genética, estilo ‘black-power’.
No Auxiliadora daquele tempo, não se observava extravagâncias de nenhum tipo na aparência e no modo de vestir de alunos e professores; éramos ainda adolescentes, e os nossos professores eram, na sua maioria, os próprios padres ou aspirantes a padres, o que justificava as suas roupas e atitudes discretas. Assim, qualquer alteração de comportamento ou mudança de aparência – para melhor ou para pior – inventadas por um colega ou professor mais ousado era motivo para estrondosas gargalhadas e apelidos variados, até que fosse encontrado o mais apropriado para o caso.
Eu nem sei mais em que ano foi; se em 75 ou 76. Só sei que um dia ele apareceu com o bigode diferente; diferente do que costumava usar. Não chegava a parecer com o tal bandoleiro mexicano porque não tinha a cara de mau, mas se a tivesse não ia ficar devendo nada para o Fernando Sancho – bandidão dos filmes de faroeste italianos. Entramos pelo portão dos fundos, nos fardamos e iniciamos o aquecimento para a aula de Educação Física; algumas voltas no pátio, correndo a passos curtos e lentos. Depois a aula propriamente dita que era, na verdade, só futebol, atividade apreciada por todos os alunos indistintamente. O professor jogava junto e, respeitosamente, não usava força excessiva, nem disputava lances com os alunos que envolvessem o corpo-a-corpo, obviamente visando preservar a integridade física dos mesmos. Times escolhidos; jogo iniciado; correria para um lado e para o outro, aliada à gritaria dos jogadores pedindo para receber a bola. Quando o “Fulano” pegava a bola, vinham gritos de todos os lados: “Fulano, Fulano!”; bola com o “Beltrano”: “Beltrano, Beltrano!”; bola com o Professor Paulinho: “Rivelino, Rivelino!”. E ele não gritava, não falava e não passava a bola. Bola com ele de novo, e a gritaria: “Rivelino, Rivelino!”. E de novo a mesma reação. Um apito mais forte alguns minutos depois, marcou o término do jogo e, conseqüentemente, da aula de Educação Física daquele dia. Uns dias depois, outra aula e... mais futebol (?)
Uma volta no campo, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, ..., depois o barulho do apito interrompendo a corrida e anunciando o final da aula. As quatro ou cinco aulas seguintes foram ainda mais instrutivas: umas voltas no campo e ginástica bem puxada. Entendemos o recado, embora continuássemos, durante as corridas de aquecimento, a “gritar” em cochichos: “Rivelino, Rivelino!”
Post scriptum: Em um ou dois meses depois tudo voltou ao normal. O bigode cresceu e virou cavanhaque e os jogos de futebol da nossa turma perderam um craque da seleção, mas ganharam novamente a presença do nosso mestre da Educação Física, Prof. Paulo Roberto de Oliveira, o Paulinho.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
RECORDAÇÃO AMARGA
Paccelli José Maracci Zahler
Silvinho foi nosso colega por pouco tempo, o suficiente para ficar traumatizado com algumas atitudes autoritárias e repressivas durante a vigência da ‘lista negra’, onde turmas foram mescladas, grupos desfeitos, colegas obrigados a assinar ‘termos de ajustes de conduta’, colegas ‘convidados’ a trocar de colégio. Foram nossos ‘anos de chumbo’. Nenhum atraso era admitido, todavia, sempre seguidos de bilhetes para os pais.
Fui encontrado pelo Silvinho, por acaso, em um centro comercial de Brasília, há algum tempo atrás.
Achei incrível ele ter me reconhecido após tantos anos. Eu não tinha a mínima idéia de quem era aquele senhor de cabelos grisalhos e já avô.
À medida que conversávamos, dada sua insistência, fui refrescando a minha memória. Mesmo assim, estava difícil lembrar-me dele. Entretanto, tínhamos um ponto em comum, o fato de termos estudado no mesmo colégio, na mesma época.
Entre uma conversa e outra, veio à tona o período da ‘lista negra’, uma pasta classificadora de cor preta, onde tudo era anotado nominalmente: brigas, brincadeiras, piadas, atrasos, indisciplina, gentilezas, boas apresentações de trabalhos, boas provas.
De um momento para outro, Silvinho ficou com os olhos marejados e me disse que, até hoje, não havia superado um trauma sofrido naquele período.
Como ele era novo no colégio, ficara impressionado com a quantidade de apelidos dos alunos e professores. Alguns interessantes, que descreviam a personalidade das pessoas, outros jocosos e maldosos, até ofensivos, mas todos levavam na brincadeira. Isso pouco importava para os púberes e adolescentes que só pensavam em aproveitar aquela época de forma inconseqüente.
Silvinho não tinha idéia de quanto tempo ainda ficaria no colégio porque seu pai era militar e podia ser transferido a qualquer momento para outra cidade. Assim, um dia na biblioteca, teve a idéia de anotar em uma folha de caderno uma relação de apelidos para guardar de recordação:
“Relação de Apelidos do Auxiliadora:
Avelino, o feminino; Ana Banana; Zebu; Xiru; ‘Miss Pig’; Átila, o huno; Ferrugem; Fumacinha; Ernesto Honesto; Diabo; Zé Peido; Porconcelos; Silveira Carrapato nas Cadeiras; Nestor Fiofó Indolor; Alberto Fiofó Aberto; Mosquito; Erwin Fiofó Sem Fim; Cavalão; Vampiro; Dr. Jeckill; Caveira; Dado; Jacaré;Gam; Betinho; Cachorrão; Amigo da Onça; E.T.; Cachorro Louco; Touro Sentado; Venenosa...”
Quando Pedrinho sentou-se ao seu lado e viu a lista, o advertiu a tomar muito cuidado porque a ‘lista negra’ também valia para a biblioteca.
O colégio inteiro estava sob a égide da ‘lista negra’, tanto que o diretor chegava de mansinho em cada janela das salas de aula para observar o desempenho dos professores e o comportamento dos alunos.
Quando caiu em si, Silvinho disse-me ter sentido um calafrio e ter ficado em pânico.
Para piorar, o responsável pela biblioteca, um aspirante a padre, parecia onipresente, olhando, conferindo, anotando, prestando atenção em tudo.
Quando alguém precisava de um livro, entregava um pedido e ele ia até a estante pegá-lo. Antes de entregá-lo, observava o estado de conservação, verificava as páginas e, se o livro fosse devolvido com algum risco a mais, mesmo de lápis, o nome do aluno passava a integrar a ‘lista negra’.
Silvinho continuou seu relato dizendo ter ficado apavorado ao pensar na possibilidade de ser flagrado pelo bedel e expulso do colégio, pois isso iria prejudicá-lo no ingresso no próximo colégio. Então, pegou o pedaço de papel e, sem fazer barulho, picou-o e jogou-o na lixeira da biblioteca. Com tremores pelo corpo devidos ao medo, foi embora para casa planejando não aparecer na biblioteca por algumas semanas.
No dia seguinte, o colégio estava em polvorosa porque o diretor estava procurando o autor daquelas ‘indecências’ encontradas em pedaços de papel na lixeira da biblioteca.
Silvinho ficou atônito ao saber que o dedicado bedel dera-se ao trabalho de vasculhar a lixeira da biblioteca para encontrar ‘provas’ de desrespeito e indisciplina. Ele encontrara os pedaços de papel e os montara como se monta um quebra-cabeças, entregando-os ao diretor com a recomendação de recolher a caligrafia de todos os alunos para descobrir o autor das ‘indecências’ e expulsá-lo exemplarmente do colégio.
Silvinho teve crise nervosa, perdeu o sono, fez tratamento com psicólogo, contudo, para sua sorte, seu pai foi transferido antes que a coisa tomasse vulto. Trocou de colégio e respirou aliviado.
Ainda hoje, ao lembrar-se do episódio, o passado retorna e ele não consegue segurar as lágrimas.
Perguntou-me se eu sabia a razão para uma atitude tão rigorosa e repressora para uma brincadeira de criança, para uma anotação pessoal.
Eu não soube responder, porém revelei que um dia achei uma paródia interessante e a anotei em um pedaço de papel, quando estudava em um colégio de freiras.
A paródia dizia assim:
“Estava à toa no banho,
O chuveiro fechou,
Resvalei no sabão,
Caí de bunda no chão.”
A professora viu a minha anotação, me deu uma chamada na frente de toda a turma por ter escrito uma ‘indecência’ e escreveu um bilhete para os meus pais, exigindo uma corrigenda.
A vida me ensinou que existem coisas piores: roubar dos pobres, corromper-se, locupletar-se com o erário, explorar menores e desvalidos, prejudicar as pessoas para beneficiar-se.
Nossa conversa terminou e nunca mais reencontrei o Silvinho.
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