quarta-feira, 14 de setembro de 2011

150 ANOS DA AURORA DE BAGÉ, RS

 

 
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| CIDADE
por: Marcelo Fialho

[21H:19MIN] 09/09/2011 - HISTÓRIA

Os 150 anos do primeiro jornal de Bagé

Em 10 de setembro de 1861, circulava a edição número um do jornal Aurora de Bagé, o primeiro periódico do município, impresso na tipografia de mesmo nome por seu proprietário, Isidoro Paulo de Oliveira.

O nome do fundador do veículo seria mais tarde dado à hemeroteca do Museu Dom Diogo de Souza - sala de jornais antigos, onde se encontra, inclusive, o volume encadernado com as edições do Aurora de números 1 a 145 - esta, publicada em outubro de 1862. A doação, conforme o termo de registro, foi feita em 1987 por Iveta de Oliveira Wiedemann, viúva do desembargador bajeense Ney da Silva Wiedemann . A coleção pertencera ao avô de Wiedemann, Propício Felipe de Azambuja e Silva, tabelião em Bagé, e foi alvo de várias propostas de compra, todas recusadas.
Anunciando-se na capa como "folha política, comercial, literária e noticiosa", o Aurora circulava três dias por semana e oferecia assinatura anual por 18 mil réis. A manifestação próxima a um editorial ocupava a capa e muitas vezes um trecho generoso da segunda página e aproximava-se do enfoque literário comum aos primeiros jornais do país, onde os articulistas eram também poetas e ensaístas. Se em um dia o jornal era aberto com poemas, não era raro que, no seguinte, ele se ocupasse da política - seja com o resumo da sessão passada da Câmara Municipal, seja com Oliveira lançando seu olhar opinativo sobre fatos da administração pública. Ao questionar atitudes das autoridades se proclamava como "propagador dos interesses locais". Em apenas três meses de existência, essa atitude idealista valeu ao dono do Aurora uma acusação de injúria, e, mais tarde, sua prisão, deixando o veículo nas mãos da redação, até que, finalmente, veio a fechar as portas. Antes do confinamento, Oliveira reagia textualmente a cada acusação, classificando como "inimigo" ao juiz municipal que lhe citou para a audiência, além de mencionar um suposto "conciliábulo" de um abaixo-assinado contrário ao jornal e definir o que sofria como "perseguição", que seria ostensiva ao Colégio São Sebastião, onde era diretor junto com José Manuel Gularte.
Após cumprir pena, Oliveira lançaria "O Bageense", segundo jornal da história de Bagé e que circulou até sua morte, em 1866, como voluntário na Guerra do Paraguai. A tipografia Aurora ficava na rua do Comércio (atual Barão do Amazonas, esquina com João Manoel).
Antes da atividade pioneira em Bagé, Oliveira havia lançado jornais em Rio Grande e em Pelotas. Nesta última, segundo relata o jornalista Francisco Rüdiger em seu livro Tendências do Jornalismo: "fundou e dirigiu vários jornais, que colocou a serviço das mais diversas facções políticas. Em 1860, foi processado e preso por crime de imprensa".
Os exemplares do jornal sesquicentenário disponíveis no Museu Dom Diogo podem ser lidos, desde que obedecidos os indispensáveis cuidados à preservação do material - utilização de luvas e máscara, conforme orienta uma das gestoras do espaço, Cármen Barros. A leitura do caderno permite, inclusive, um regresso no tempo a uma Bagé onde o aluguel de escravos era atividade regular, décadas antes da Lei Áurea, conforme se observa nos classificados que anunciam o perfil desejado para aquisição dos serviçais domésticos, além de avisos de fuga.

Fonte: Jornal MINUANO, edição de 09.set.2011.

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