segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A BATALHA DO SEIVAL

 
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por: Cláudio Falcão

[20H:23MIN] 19/09/2011 - ESPECIAL

A Batalha do Seival

Cenário da proclamação republicana

É unanimidade histórica o acontecimento de fatos decisivos da Revolução Farroupilha em terras de Bagé. Alguns admiradores das façanhas farrapas, na tentativa de verem esclarecidas todas as dúvidas a respeito desses fatos, levantam questionamentos que, por vezes, consolidam a realidade do maior conflito rio-grandense. A localização exata do local onde se deu a Batalha do Seival tem sido alvo constante dessas dúvidas. A bibliografia não dá margem a interpretações equivocadas. O palco da luta foi no chamado "Campo dos Meneses", hoje localizado no município de Candiota, às margens do Arroio Seival. O sítio histórico é assinalado pela presença de um arco alusivo, construído na beira de rodovia BR 293. O pesquisador aposentado da Embrapa, engenheiro agrônomo José Otávio Netto Gonçalves, é categórico em afirmar que naquele lugar se deu, realmente, o importante combate em que, logo após seu final, foi proclamada a República Rio-Grandense. O general Netto, autor da proclamação é ascendente direto de Gonçalves, que faz parte do Núcleo de Pesquisas Históricas Tarcísio Taborda. Farto material histórico foi encontrado nas margens do Arroio Seival, comenta Gonçalves. Essas peças, como estribos, pontas de lanças, fragmentos de lâminas de espadas ou sabres, esporas, freios, entre vários outros, foram doadas pelos proprietários rurais daqueles campos ao Museu Dom Diogo de Souza, na época ainda sob a curadoria de Tarcísio Taborda.

O combate
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O coronel legalista João da Silva Tavares, que tinha se refugiado no Uruguai, após ter sofrido reveses em escaramuças isoladas, voltou à Província em setembro de 1836, no comando de uma força com mais de 500 homens, a maior parte recrutada entre rio-grandenses que viviam por lá. Bem armado e confiante, Tavares provocou os farroupilhas, ao passar pela região de Bagé, território guarnecido pela tropa do coronel Antônio de Souza Netto, formada por pouco mais de 400 soldados, muitos deles uruguaios. No dia 10 de setembro, os inimigos se encontraram nas margens do Arroio Seival. Apesar da inferioridade numérica, os rebeldes atacaram com espadas e lanças e destroçaram a força legalista. O coronel Tavares teve uma perna ferida, mas o pior aconteceu com seus soldados: 180 mortos, 60 feridos e 116 presos. As perdas farroupilhas foram mínimas.
Existem registros de que o cavalo de Tavares teria disparado, por ter o freio arrebentado. A corrida teria sido interpretada com fuga entre seus subordinados, o que causou confusão na refrega. Os homens de Netto aproveitaram o momento a seu favor, redobrando o ímpeto das cargas. Apesar da experiência e da valentia, Silva Tavares poucas vezes venceu um combate, embora sempre pronto para a luta. Derrotado, levou o que sobrou da tropa para a região do Rio Camaquã. A batalha do Seival proporcionou aos rebeldes um dos maiores feitos de toda a Guerra dos Farrapos. Essa façanha de Antônio de Souza Netto foi cantada em versos populares:

"No dia 10 de setembro
Lá nos campos do Seival
Foi derrotada a soberba
Dos barbudos do Erval
O dia 10 de setembro
Foi um dia soberano
Em que no Seival soou
O grito republicano".

Fonte: Jornal MINUANO, edição de 19.set.2011 (www.jornalminuano.com.br)

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