segunda-feira, 27 de agosto de 2007

SILVIA DALMAZZO FORTES E AMIGAS


Silvia Dalmazzo Fortes e amigas, em Porto Alegre, RS, agosto/2007.
É a segunda da direita para a esquerda.
Colaboração: Silvia Dalmazzo Fortes.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

UMA POESIA DO PROF. ERNESTO WAYNE


Fonte: Jornal CORREIO DO SUL, Bagé, RS, de 20.ago.2007, p. 2.

ANTIGA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE BAGÉ, RS


A partir de 1980, o prédio da antiga Estação Ferroviária de Bagé, RS, passou a sediar o Centro Administrativo da Prefeitura Municipal de Bagé, RS.
Fonte: http://www.estacoesferroviarias.com.br/rs_bage_riogrande/bage.htm
Foto: Alfredo Rodrigues.
Colaboração: Sergio Fontana.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

UM GURI CRIADO A TODDY


Por Sergio Fontana

O desabamento de uma ponte ferroviária em Pedro Osório, no ano de 1982, interrompeu e abreviou, simbolicamente, o histórico do meio de transporte mais tradicional do sul do Rio Grande do Sul, os chamados trens de passageiros.
O trecho Rio Grande-Bagé voltou a ser utilizado após a reconstrução da ponte, mas um pouco antes do final dos anos 80 o transporte ferroviário de passageiros, em todo o Rio Grande do Sul, foi extinto oficialmente.
Menos de dez anos antes da enchente que derrubou a ponte, ninguém imaginava sequer que o majestoso prédio da estação da RFFSA/VFRGS de Bagé, inaugurado em 1884 e restaurado em 1929, deixaria, em breve, de ser a sede do principal entroncamento da região, cedendo o seu lugar para a estação localizada na cidade do Rio Grande.
Nenhum bageense imaginava também que os trilhos mudariam de lugar, e que sobre a Ponte Seca e sobre a ponte ferroviária próxima ao Paredão não circularia mais nenhum trem. E foi pensando que aqueles tempos românticos jamais iriam terminar que eu, junto com os demais atletas e responsáveis (Padre Lino Fistarol, Professor Paulo Oliveira e dois auxiliares técnicos), que representariam o Auxiliadora nos jogos intercolegiais regionais do RS, embarquei às 17 horas do dia 24 de Agosto de 1973, uma sexta-feira, num trem para Rio Grande.
Enquanto a luz do dia ainda se fazia presente, uma pilha de revistinhas do TEX, um herói do far-west, do Carlos Sá Costa, ia nos divertindo.
Quando a claridade natural foi substituída por uma lâmpada de, no máximo, 25 watts do vagão do trem, ficou impossível ler qualquer coisa. Então o jeito foi tentar dormir ou acompanhar a algazarra de uma parte da turma formada, na sua maioria, por alunos do 1º Científico e também por estudantes das 4ªs séries e 3ªs séries ginasiais, turmas que ainda mantinham essa denominação, apesar da reforma do ensino médio de 1972 que extinguiu os termos “primário” e “ginásio”, unificando-os sob o nome de ensino fundamental.
Acredito que a nossa chegada à cidade-sede da competição não ocorreu antes da meia-noite, mas ainda assim vários colegas mantinham a animação em alta rotatividade, adiando, o mais que podiam, a ordem dos responsáveis pelo grupo para se recolherem aos alojamentos do 6º GAC (Grupo de Artilharia de Costa), que dali para frente seria o nosso quartel general. As meninas que faziam parte do grupo eu nem sei onde foram hospedadas; elas simplesmente sumiram de circulação.
Não havia diferenças acentuadas de estatura entre a maioria dos atletas que disputavam os jogos, principalmente na categoria infanto-juvenil. Justificava-se por este motivo o meu aproveitamento na equipe de basquete do Colégio Auxiliadora. Entre os meus colegas de aula, somente dois, que eu me lembre, faziam parte da delegação: o Cândido Borba - basquete e vôlei; e o Carlos Sá Costa - arremesso de peso. O Sá - assim chamado por todo mundo - era um atleta diferenciado em função do seu excelente estado atlético, da estatura elevada e da força que possuía muito superior à de qualquer guri da mesma idade. Nem sei como se saiu no arremesso de peso, modalidade que concorreu, se não estou enganado, na categoria juvenil (de 15 a 17 anos), porém não houve, para mim, qualquer medalha conquistada que tivesse maior valor do que o episódio protagonizado por ele.
Domingo à noite, no ginásio do Colégio São Francisco, um bom público estudantil se acomodou para ver alguns jogos do basquete masculino. A maior parte do nosso grupo - algumas gurias, inclusive [oba!] - estava por lá. Eu não fui jantar com o Sá e com o Hamilton – aluno da 3ª Série, mais conhecido como Tuca - no restaurante em que tinha estado no dia anterior, preferi as arquibancadas do ginásio e a proximidade de algumas meninas do Auxiliadora. Eles, provavelmente, foram porque numa determinada hora o Tuca entrou correndo no ginásio em nossa direção gritando: - Tão dando no Sá, lá!
Todos os alunos, ou pelo menos os mais “machos”, do Auxiliadora que estavam ali saíram correndo, seguindo o Tuca na direção do acontecimento alardeado por ele. Umas oito, nove ou dez quadras adiante chegamos ao local da ocorrência e o cercamos imediatamente. O Sá estava de pé, muito vermelho, na posição de um guerreiro pronto para o ataque, com os braços meio-afastados do corpo e os punhos fechados – quase daria para dizer que o Sylvester Stallone se inspirou nele para compor o Rambo, anos mais tarde. Seus adversários eram dois marmanjos adultos: um estava caído junto a uma parede, sem entender mais o que estava acontecendo; o outro estava sangrando na testa e no nariz e, muito assustado, nos olhava sem esboçar nenhuma ação. O Carlos Sá, um guri de 13 anos, tinha dado uma surra neles e estava prestes a continuar o trabalho se não fosse a nossa chegada. O Nestor Bittencourt, aluno da 3ª Série, ainda ganhou um soco no nariz, desferido por um dos ladrões que pensou ser ele o autor da frase: - Tem que dar nestes f.d.p.!
Pensando bem, escapei de ser atacado pelos gatunos que tentaram assaltar o Sá e o Tuca, simplesmente porque dessa vez não saí com eles, e também escapei de levar um soco, o que só não aconteceu graças a uma disfunção auditiva do bandido; aí sobrou para o Nestor.
Com a chegada do auxiliar técnico do Prof. Paulinho, exclamando “isto é caso de polícia”, a confusão foi desfeita e os bandidos foram liberados, talvez extremamente envergonhados por terem apanhado de um pré-adolescente. Só que era um guri “criado a Toddy” e disso eles não sabiam. Depois desse vexame com várias testemunhas, eles – os ladrões - devem ter largado a “profissão”.


Fontes de pesquisa:
http://paginas.terra.com.br/esporte/rsssfbrasil/tables/br1973.htm
http://www.estacoesferroviarias.com.br
http://www.mikrus.com.br/~classe35/histquartel.htm
http://www.maristas.org.br/colegios/page.asp?cod=13&codpag=3097&rand=18/3/200510:41:43

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

ESTRADA RURAL DE BAGÉ, RS


Fonte: Jornal CORREIO DO SUL, Bagé, RS (agosto de 2007).

Estradas semelhantes a esta foram percorridas em nossos piqueniques.

sábado, 11 de agosto de 2007

PADRE ERWIN, O HIPNOTIZADOR


Por Paccelli José Maracci Zahler

Quando fui para o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em 1969, eu fiquei encantado ao ver os alunos pedindo para o padre conselheiro,o Padre Erwin, para hipnotizá-los.
Seu truque básico era pedir ao aluno que entrelaçasse as mãos, olhasse em seus olhos e, quando ele contasse até três, o aluno não conseguiria mais abri-las. E assim acontecia – o aluno não conseguia desentrelaçar as mãos até que ele contasse até três novamente.
Em outra oportunidade, presenciei um número de hipnotismo onde o Padre Erwin mostrava uma linha no chão, entre as cerâmicas, e dizia ao aluno que ali havia uma barreira instransponível e que, por mais que ele tentasse, não conseguiria atravessá-la.
Contava um, dois, três, e, incrivelmente, os pés do aluno se retorciam e ele não conseguia ultrapassar a linha no chão até nova ordem.
Quando os alunos estavam com vontade de tomar refrigerante e não tinham dinheiro para comprá-lo na lanchonete do Padre Nestor, que ficava em frente ao campo de futebol, pediam ao Padre Erwin para hipnotizá-los de modo que a água do bebedouro aparentava ter gosto de Coca-Cola.
Curioso e receoso, um dia pedi para o Padre Erwin me hipnotizar.
Ele tentou o truque das mãos entrelaçadas uma, duas, três vezes e não conseguiu. Então, me disse:
- Não tens suscetibilidade ao hipnotismo!
Da minha parte, embora não tenha vivenciado a experiência, fiquei contente, pois isso significava que eu não me deixava influenciar por ninguém.
Já por meados da década de 1970, houve uma onda de parapsicologia e controle mental.
O Padre Erwin, que havia deixado o colégio por uns tempos, talvez tenha estado a serviço em outro município, voltou para o Auxiliadora com uma novidade: o Método Silva de Controle Mental.
Eu me lembro que até o Prof. Guido (Estudos Sociais) começou a praticá-lo.
Tive a oportunidade de fazer o curso de controle mental dado pelo Padre Erwin no teatro do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, onde funcionou um cinema e onde fizemos a apresentação da peça “Pluft, o fantasminha”.
O teatro estava lotado.
Creio que Bagé inteira resolveu fazer o curso do Método Silva na esperança de programar o futuro e melhorar de vida.
Em determinado momento, as luzes foram apagadas para que ficássemos sob as ordens do Padre Erwin, em uma espécie de hipnotismo coletivo.
Do mesmo modo, minha mente não absorveu as ordens dadas pelo Padre Erwin. Abri os olhos e vi pessoas com as mãos lá no alto como se estivesse levitando.Naquele momento, eu me lembrei do que ele havia me dito alguns anos atrás.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

A ORIGEM DO JORNAL "FOFOCAS"


Por Sergio Fontana
“Qual dos gráficos abaixo melhor representa o Movimento Retilíneo Uniformemente Variado?”. Uma pergunta como esta, seguida de quatro alternativas, de “a” a “d”, cada uma delas apresentada em forma de gráfico do tipo “velocidade x tempo”, “velocidade x distância” ou “distância x tempo”, e mais a alternativa “e”, que continha, invariavelmente, a palavra “nenhum”, era o estilo favorito do Professor Gesner Carvalho quando aplicava uma de suas provas-relâmpago de Física, no 1º Científico.
Inicialmente, essas avaliações se resumiam a, somente, duas questões, ambas semelhantes ao supracitado exemplo e que valiam cinco pontos, cada uma.
Para quem estava “por dentro” da matéria, era fácil alcançar o “10”; mas para os outros - e o meu caso se enquadrava aí - era nota “5” ou “zero”.
Uma coleção de “cincos” ou “zeros” nas duas ou três avaliações mensais desse tipo que ele fazia, resultava em desastre certo no final do mês.
Desenvolvi, em função dos pequenos fracassos nessas provinhas, uma fobia doentia a essa disciplina, e cada vez menos entendia as explicações do professor.
Aos trancos e barrancos compensava essas limitações, gastando mais horas por dia, em casa, na tentativa de assimilar as lições através do livro didático e do que conseguia copiar na aula.
Foi involuntária a criação da fórmula que me ajudou a superar o trauma e a desconfiança relacionados ao Professor Gesner, e vou contar, a seguir, como foi.
A primeira vez que eu vi uma charge do Falcão não tive dúvidas de que ele era uma estrela de primeira grandeza, um desenhista nato com personalidade de diretor de cinema francês. E me inspirei naquela capacidade rara para tentar aperfeiçoar o meu modo de desenhar.
Acompanhar com atenção o desenvolvimento das criações dele era fácil para mim porque o meu assento, na sala de aula de um certo ano letivo, era o quarto da primeira coluna à esquerda, e o dele era o terceiro da segunda coluna, também à esquerda, ou seja, uma vista diagonal favorável me permitia observar a performance do desenhista.
Assim, fui pegando gosto pela coisa, arriscando desenhar umas caricaturas com olhos, nariz e boca exageradamente deformados e, ao mesmo tempo, prestando mais atenção nas charges do Santiago e do Sam Paulo que desenhavam para a Folha da Manhã, e nas tiras de “Hagar, O Horrível”, que até hoje saem na Zero Hora.
Eu tinha um amigo, o Dario Caneda Teixeira, que também gostava de desenhar, e algumas tardes de folga eram gastas na “produção” de mini-estórias em quadrinhos em uma peça dos fundos da minha casa.
No colégio, já no 2º ano Científico, invocando as lembranças de umas estórias proibidas do “Zorro”, criadas e desenhadas pelo Paccelli nos tempos de ginásio, as quais circulavam com aprovação unânime por toda sala de aula, imaginei que desenhar e escrever estórias bem humoradas era divertido; e reproduzir situações reais ou imaginárias isoladas dos colegas mais chegados também era divertido; mas transmitir, em forma de notícia, várias ocorrências internas, reais ou imaginárias, e ainda por cima, “fotografá-las” poderia ser mais interessante.
Não seriam tão bem retratadas as imagens, uma vez que o verdadeiro especialista em desenho era o nosso colega Cláudio, mas o propósito principal da “coisa” era, pelo menos, dar uma idéia das cenas das ocorrências.
Uma folha de caderno dobrada ao meio se transformou em quatro páginas de jornal quando foi girada a 90 graus. Faltava dar um nome à criação.
Desenhei uns olhos, como se fossem os de um espião atento a tudo, um nariz comprido – como o meu - entre eles e a boca que era só um ponto mais abaixo.
O nome surgiu dali, daquele desenho, e também porque a característica principal do jornal era o sensacionalismo. Nem precisei pensar muito; a palavra estava “caindo de madura”: “FOFOCA”. Mas não ficou tão bem. Então, “FOFOCAS” - inicialmente sem as asinhas. Depois, como o jornal precisava estar bem informado para poder circular, o logotipo ganhou as tais asinhas para poder observar melhor os “deslizes” de todo mundo, ou seja, passou a ter uma visão aérea privilegiada.
O nosso professor Gesner gostava de andar, a passos lentos, dentro da sala de aula, especialmente quando propunha um problema por escrito aos seus alunos. Aguardava a solução, caminhando. Numa dessas andanças, descobriu um exemplar do “jornal” circulando e o pegou.
Todo o mundo ficou em silêncio e eu com medo da pergunta iminente:
- “Quem é que fez isto aqui?”
Mas não aconteceu nada, que eu me lembre. Ele leu, deu uma risada discreta e devolveu o exemplar do “jornal” ao colega que anteriormente estava com ele.
Num outro dia, para minha surpresa ainda maior, perguntou:
- “Já saiu o jornalzinho hoje?”
E todo mundo começou a rir. Na verdade, naquele dia, especificamente, eu não tinha pensado em nada para noticiar, mas diante da pergunta do homem, apressei-me em apurar as informações mais recentes, “fotografando-as” o mais rápido que eu podia.
Antes do fim da aula de Física o informativo aterrissou na mesa do mestre.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

RODOVIÁRIA DE BAGÉ (1980)

 


A rodoviária de Bagé possibilitou a nossa diáspora pelos vários rincões do Brasil.

Fonte: Revista BAGÉ DE HOJE, ano XVII, nº 33, 1983, editada por Harry Rotermund.
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AVENIDA SETE DE SETEMBRO NA DÉCADA DE 1970

 


Fonte: Revista BAGÉ DE HOJE, ano XVII, nº 33, 1983, editada por Harry Rotermund.
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CENTRO DE BAGÉ NA DÉCADA DE 1970





Fonte: Revista BAGÉ DE HOJE, ano XVII, nº 33, 1983, editada por Harry Rotermund.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

MOSQUITO ELÉTRICO


Por Sergio Fontana

Eu já sabia ler e fazer contas simples quando fui apresentado à minha primeira professora, no Colégio Mélanie Granier (hoje Instituto Anglicano Mélanie Granier), em Bagé.
As turmas do primeiro e segundo ano primário tinham aulas simultâneas na mesma sala e a Professora Alice alternava as lições entre as duas séries que ficavam separadas somente pelo vão de circulação: à esquerda os alunos do 1o ano; à direita, os do 2o ano.
Ao final da segunda semana de aula a professora mandou chamar a minha mãe, reuniu-se com a diretora do colégio e chegou à conclusão que eu deveria passar direto para o segundo ano primário.
Na semana seguinte fui para a ala direita da sala e, apesar de já saber escrever até com “letra pegada”, começaram as minhas dificuldades.
Tive que copiar e aprender em um fim-de-semana, e até a metade da semana seguinte, a matéria que tinha sido dada nas duas semanas em que permaneci na ala correspondente ao 1o ano, além de acompanhar as aulas do 2o ano que se desenvolviam normalmente.
Essa nova situação se refletiu durante a década inteira da minha vida estudantil.
Eu era o mais novo em todas as minhas turmas, e a própria diferença de idade – entre um ano ou mais – em relação à maioria dos meus colegas, constituía-se num retardamento natural relativo do meu desenvolvimento físico e psicológico. Pode-se explicar desta forma por que eu era o menor indivíduo, mas além de tudo isto, tinha a influência genética.
Ao chegar ao Auxiliadora, em 1968, eu já conhecia alguns daqueles que seriam meus companheiros de turma por muitos anos: o Eduard Balzer, do Mélanie Granier, e também de lá talvez algum outro, que eu não lembro; o Rudy Brendler, o José Pedro Fuchs, o Dionei Silveira e, se não me engano, o Arlindo Almeida, esses do 3º ano, no Colégio Espírito Santo. E foi daí para frente, antes mesmo de eu poder exibir o meu corpo nas partidas de futebol, que um dos meus novos colegas precisou me chamar numa das brincadeiras de recreio, não lembrou, de imediato, o meu nome e gritou de longe:
- Tu aí, ô, mosquito elétrico!
Quem estava por perto começou a rir e as repetições “pipocavam” de todos os lados:
- Mosquito Elétrico! Mosquito Elétrico!
No começo - seguindo uma antiga orientação da minha mãe - eu nem atendia aos chamados e nem ficava brabo também, imaginando que dessa forma o apelido não pegaria. Só que não ajudava em nada essa atitude corajosa porque o meu tipo físico em muito contribuía para que o meu nome verdadeiro fosse, aos poucos sendo substituído pelo “Mosquito Elétrico”, e depois, em função da lei do menor esforço, pelo famoso “Mosquito”.

A "ESCALADA" DO CERRO DE BAGÉ


Por Paccelli José Maracci Zahler

É isso que dá querer praticar montanhismo sem ter montanhas.
Lá pelos idos de 1973, o André e eu resolvemos praticar montanhismo em Bagé.
Em Bagé, até onde sei, só há uma possibilidade: o Cerro de Bagé, com 20 ou 30 metros de altura. Assim foi.
Morávamos na mesma rua, porém, com nomes diferentes, a partir do Quartel-General do Exército.
Do norte até o QG, chamava-se Rua General João Telles; daí até o sul, Rua Emílio Guillain.
Eu morava na João Telles; o André, na Emílio Guillain, próximo ao Hospital de Guarnição de Bagé (antigo 11º Regimento de Cavalaria) e do Passo do 11 (referente ao 11º Regimento de Cavalaria).
Não me lembro se foi em um dia da semana, nas férias, ou em um final de semana que decidimos escalar o Cerro de Bagé.
Nos preparamos, de bermuda, camiseta e calçado Conga.
Como o Cerro de Bagé fica para o Sudoeste da cidade, eu passei na casa do André e de lá, atravessamos o Passo do 11, passamos pela Rua Oscar Salis, pela Rua Daltro Filho (que passou a se chamar Rua do Acampamento) e, depois de pouco mais de uma hora de caminhada, chegamos ao Cerro de Bagé.
Eu já tinha ido ao Cerro de Bagé em outras ocasiões porque, de vez em quando, aconteciam procissões ou a coleta de marcela na Semana Santa.
Subimos o Cerro e ficamos por longo tempo observando a cidade aos seus pés. Lembro-me de ficarmos conjeturando sobre a história de Bagé, o índio Ibajé e sobre quem estaria enterrado naquela tumba lá no alto.
Tendo feito a “escalada” decidimos seguir em frente pela estrada de terra para ver aonde chegaríamos.
Caminhamos, caminhamos, caminhamos. E a estrada era interminável. Fomos sair no asfalto, na estrada para Aceguá, próximo à entrada do aeroporto.
Enveredamos em direção à cidade. Minhas pernas já começavam à doer. Creio que umas duas horas depois, avistamos o Arco, depois a Praça do Cemitério. E o fôlego sumindo, as pernas doendo.
Despedimo-nos na Rua Emílio Guillain e eu fui, subindo a rua, até a minha casa.
Só me lembro de ter chegado lá pela uma hora da tarde, morto de fome. Tomei um banho, almocei e fui me deitar.
Acordei lá pelas 19 horas, com as pernas doendo; e doeram durante toda a semana.
O duro foi agüentar a gozação no Colégio N.S. Auxiliadora.
Quando souberam da aventura, os colegas começaram com gracinhas e o Falcão, em uma da suas inspirações, fez uma charge sobre nós, vestidos de alpinistas, escalando o Cerro de Bagé, utilizando cordas e mosquetões.
A charge foi “publicada” no jornalzinho “FOFOCAS”, que circulava secretamente durante as aulas, provocando risos por onde passava.

TRABALHO DE HISTÓRIA 1

 

 

Com elogio do Prof. Getúlio.
Colaboração:Paccelli José Maracci Zahler.
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domingo, 5 de agosto de 2007

TRABALHO DE HISTÓRIA 2

 

 
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Com elogios do Prof. Getúlio (História).
Colaboração: Paccelli José Maracci Zahler.

sábado, 4 de agosto de 2007

O ENSAIO DO CORAL


Por Paccelli José Maracci Zahler

Dentre as várias inovações do Colégio N. S. Auxiliadora, na década de 1970, estava a criação de um coral dos alunos para cantar nas missas e nas solenidades, por exemplo, no coral das mil vozes, na Semana da Pátria de 1973.
Por um desses acontecimentos fortuitos da vida da gente, fui selecionado.
Salvo engano, pois a memória já não é a mesma após mais de 30 anos, éramos ensaiados pelo Padre Fausto, um entusiasta pela música.
Eu me lembro que estávamos ensaiando para a cerimônia de Crisma de alguns colegas, dentre eles o José Pedro Fuchs.
No horário das duas últimas aulas, fui convocado, junto com os demais participantes do coral, para repassar as músicas que seriam cantadas na missa de domingo.
Como eu não tinha certeza do horário de término do ensaio, deixei meus livros em sala de aula, debaixo da carteira.
O ensaio se estendeu para depois das 12 horas e, quando voltei à sala de aula, ela estava fechada e eu não consegui pegar meus livros.
Retornei às 13h30min, falei com o Seu Bráulio, responsável pela portaria, e ele abriu a sala. Levei um tremendo de um susto: nada dos livros.
Voltei a falar com o Seu Bráulio, expliquei a situação e ele me deu como alternativa, dar uma olhada na sala dos professores, pois, quando acontecia algum fato dessa natureza, o professor guardava os livros.
Felizmente, os livros estavam sobre a mesa da sala dos professores. Respirei aliviado. Entretanto, fiquei muito triste com o comentário feito pelo Seu Bráulio. Por mais que eu tivesse explicado que imaginara voltar à sala antes do fim das aulas da manhã para pegar os livros, pois havia sido convocado para o ensaio do coral, ele entendera que eu tinha, simplesmente, esquecido os livros na sala de aula.
Doeu muito quando o ouvi comentar, rindo, com outro funcionário do colégio:
- É um artista! Onde já se viu esquecer dos livros na sala de aula?
Tive que me resignar porque não havia jeito de fazê-lo entender o que aconteceu. Ele entendeu do jeito que quis.
Voltei para casa chateado.

A SOMBRINHA DA SORAYA


Por Paccelli José Maracci Zahler

Durante o Curso Científico (2º Grau), eu costumava acompanhar a Soraya até a sua casa, já que o nosso caminho era o mesmo.
Muitas vezes, ficávamos conversando por uma eternidade no portão. Era inexplicável tanto assunto, justo na hora do almoço.
Certa vez, começou a chover e eu estava sem guarda-chuva. Ela insistiu para que eu usasse a sombrinha dela, de cor grafite.
Eu disse que não era necessário, porém, ela insistiu e me disse que era para evitar que eu me molhasse e ficasse resfriado.
Sem jeito, eu aceitei e fui morrendo de vergonha até a minha casa, que ficava uma quadra e meia distante.
Ao chegar em casa, peguei meu guarda-chuva e devolvi a sombrinha imediatamente, para surpresa dela.
Naquela época, pelo menos em Bagé, meninos usavam guarda-chuva e meninas, sombrinha, por isso, para mim era muito esquisito ir para casa de sombrinha.
Quando vim para Brasília, em dezembro de 1982, em plena estação chuvosa, eu via pessoas usando sombrinhas indiferentemente, fossem homens ou mulheres.
As chuvas eram tão fortes, que o mais importante era se proteger da chuva, sem importar como.
Em 2005, tive a oportunidade de ir a Porto Alegre para fazer uma palestra em um congresso técnico e, como já tinha mantido contato com a Soraya, encontrei com ela.
Ela não tinha mudado nada. Sempre alegre, falando coisas engraçadas, de tal forma que, para mim, foi como se o tempo não tivesse passado, como se eu tivesse conversado com ela no portão no dia anterior.
Entre uma conversa e outra, eu comentei com ela a história da sombrinha, do quanto eu tinha ficado envergonhado e sem jeito.
Ela me disse:
- Se fosse hoje, eu tenho certeza que não irias aceitar a sombrinha!
- Por que? – perguntei.
Ela me respondeu mostrando a sombrinha verde-limão, com duas "orelhinhas" nas barbatanas e dois olhos bem grandes, simulando a cabeça de um sapo.
Realmente, seria o maior mico. Hoje, eu não aceitaria.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

A LISTA NEGRA



Por Sergio Fontana

A pior coisa que podia acontecer a um aluno do Auxiliadora nos idos dos anos 70 era figurar na "lista negra", também chamada pelos próprios alunos de "máscara negra", logo que apareceu, em 1969. A pasta de arquivo com abas - de cor preta no início e que depois, com as sucessivas trocas, mudou para uma espécie de cinza-azulado-claro - ficava em cima da mesa do professor e media, aproximadamente, 15 por 21 centímetros, de modo que dentro dela coubesse uma folha-padrão A5. Essa folha era um quadro de horários em branco, onde qualquer desvio de conduta por parte de um aluno que merecesse mais do que uma simples advertência, era ali registrado, no espaço correspondente à disciplina que estava sendo ministrada.
Na metade do último período de aulas, mais ou menos, o seu Bráulio - e uns anos mais tarde, o Glênio - passava em todas as salas de aula para devolver as cadernetas (ou "cardenetas" como diziam alguns colegas do ginásio, ainda não familiarizados com a palavra) e levava a tal pasta embora. Poucos minutos antes da saída, todo o aluno que tivesse o seu nome registrado na temida lista era convocado a "prestar depoimento" junto à direção do colégio. A punição era imposta de acordo com a gravidade da falta praticada e ia desde uma enérgica advertência até uma suspensão por alguns dias, tudo registrado, em vermelho, na caderneta escolar. A minha experiência nesse tipo de situação, felizmente, foi quase nenhuma, mas muitas vezes tremi de pavor diante da ameaça de ter o meu nome escrito na “lista negra”.