domingo, 30 de dezembro de 2007

'FEELINGS' (MORRIS ALBERT, 1975)



Fonte: Youtube.

Sucesso internacional de Morris Albert (pseudônimo do brasileiro Maurício Alberto) em 1975, ano do nosso 2º Científico.

'HAVING MY BABY' (PAUL ANKA, 1974)


Fonte: YouTube.

A música tocava muito nas rádios em 1974. Era um dueto de Paul Anka com Odie Coates.

TED BOY MARINO (TELECATCH) (LUTA LIVRE NA TV)



Nas noites de sábado, a TV Difusora de Porto Alegre, RS, transmitia apresentações de luta livre, o telecatch, onde se podia assistir o Ted Boy Marino, ídolo na época; Verdugo, Fantomas, a Múmia, etc.
Eu me lembro de um álbum de figurinhas, 'A Holandeza' (com 'z' mesmo), onde existiam cromos com esses lutadores.
O video foi o único que encontrei no YouTube. Mesmo com a baixa qualidade das imagens, dá para matar a saudade.

DJANGO



Nas matinés do Cine Avenida, passavam muitos filmes de faroeste, mesmo feitos na Itália, com 'Django'.

EDIFÍCIO AVENIDA, BAGÉ, RS



No térreo do Edifício Avenida, ficava o Cine Avenida, com capacidade para 2 mil espectadores, que foi destruído por um incêndio na década de 1990. Em 1998, quando fui a Bagé pela última vez, senti um aperto por dentro ao ver os escombros e alguns restos de cartazes ainda nos mostruários.
Segundo informações, hoje é um estacionamento pago.
Posso dizer que cresci no Cine Avenida, o meu preferido. Com ele, foi para o chão uma parte da minha história.
Na foto, obtida na internet, pode-se observar a parte de trás do edifício sem o teto. Ali ficava a tela, o palco, as poltronas.

FILMES DO TARZAN



Os filmes do 'Tarzan', particularmente com o Johnny Weissmuller, passavam nas matinés dominicais do Cine Avenida, do Cine Capitólio e do Cine Glória.
Todos os domingos eu ia às matinés do Cine Avenida, onde passavam dois filmes seguidos.
O trecho do filme "Tarzan e as Amazonas", obtido no YouTube, onde aparecem Tarzan, Jane e Chita, me reportaram àquela época.

'SENTADO À BEIRA DO CAMINHO' (ROBERTO E ERASMO CARLOS, 1969)



Fonte: You Tube.

sábado, 29 de dezembro de 2007

'ZORRO' (SERIADO DE TV)



Abertura do 'Zorro'. Acho que não teve quem não brincou de 'Zorro'.

'JAMES WEST' (SERIADO DE TV)



Também produzido na década de 1960 e apresentado em 1970 na TV brasileira. Salvo engano, passava na TV Difusora de Porto Alegre, RS, às 21 horas. Este seriado, eu também não perdia.

'COMBATE' (SERIADO DE TV)



O seriado 'Combate', embora produzido na década de 1960, chegou à televisão brasileira na década de 1970. Se não me engano, passava às 21 horas, em determinado dia da semana, talvez, quarta-feira.

'NATIONAL KID' (SERIADO DE TV)



"O seriado foi criado em 1960, por encomenda, com a finalidade de servir de merchandising para a fábrica de eletrodomésticos National Electronics Inc., atual Panasonic.
A tarefa foi entregue ao mangaka Daiji Kazumini, o mesmo que algum tempo depois criaria outro herói espacial, Spectreman.
O personagem deveria ter poderes especiais, voar e lutar pela paz no mundo.
Levaria o nome da empresa para ajudar a aumentar as vendas.
Os atores eram todos amadores e os episódios foram todos filmados em preto-e-branco.
A abertura dos episódios começava com os dizeres do locutor, em forma de lema: Mais rápido que os aviões a jato, mais forte que o aço! O invencível cavaleiro da paz e da justiça.... National Kid!
A partir daí então era entoada a canção tema do seriado.
Quando a Terra era ameaçada por seres de outro planeta, surgia um ser vestido com roupa espacial, capacete, máscara, capa e luva que salvava a todos e era auxiliado (ou atrapalhado) por vários personagens.
Seu nome era National Kid.
Ele era oriundo de uma estrela fora de nossa galáxia chamada de Alfa-Centauro. O que caracterizava este super-herói era o seu modo de voar.
Diferente do Super-Homem, ou qualquer outro, ele voava com os braços abertos. Com duas pistolas, colocava fora de combate os seus adversários.
Suas lutas corporais com seus adversários eram verdadeiras danças, e ele é um dos precursores das lutas marciais vistas hoje nos filmes do gênero.

Ninguém sabia que, na verdade, Massao Hata tinha dupla identidade: ele era o National Kid. Dois atores protagonizaram o personagem de National Kid: Ichiro Kojima iniciou o seriado, substituído por Tatsume Shiutaro a partir da história "O Império Subterrâneo"."

Fonte: Abertura do seriado e texto obtidos no YouTube.

Não cheguei a assistir o seriado 'National Kid' porque somente compramos um aparelho de televisão em 1970, por ocasião da Copa do Mundo, na qual o Brasil sagrou-se tricampeão mundial no México. Entretanto, meus amigos vizinhos comentavam muito sobre ele e sobre os Incas Venusianos. Certamente, muitos colegas de Auxiliadora não perdiam um episódio.

ASSOCIAÇÃO RURAL DE BAGÉ, RS (2007)

 


Fonte: Jornal 'Correio do Sul', de 28.dez.2007.

Na Associação Rural de Bagé, ocorriam corridas de cavalo e exposições. Por alguns meses,lá entre 1976 e 1978, fiz um bico por lá nos finais de semana, vendendo apostas de cavalos. Foi uma experiência interessante, já que nunca tive jeito para isso, e rendia algum dinheiro para comprar livros.
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CENTRO ADMINISTRATIVO DA PREFEITURA DE BAGÉ, RS (2007)

 


Fonte: Jornal 'Correio do Sul', de 28.dez.2007.
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'AGENTE 86' (SERIADO DE TV)



'Agente 86' era uma paródia dos seriados de espionagem e muito engraçado.

'OS AGENTES DA U.N.C.L.E.' (SERIADO DE TV)



'Os agentes da U.N.C.L.E.' seguiam a mesma linha de 'Missão:impossível'.

'MISSÃO:IMPOSSÍVEL' (SERIADO DE TV)



Era tão bom que não dava para perder nenhum episódio.

'JEANNIE É UM GÊNIO' (SERIADO DE TV)



O seriado 'Jeannie é um gênio' inspirou muita gente a ingressar na Aeronáutica e a tentar ser astronauta.

'PERDIDOS NO ESPAÇO' (SERIADO DE TV)



O seriado 'Perdidos no Espaço' veio no início da exploração espacial. De alguma forma, ele nos fazia viajar por planetas distantes.

HOMEM-ARANHA (ANIMAÇÃO, DÉCADA DE 1970)



O Homem-Aranha contava com a simpatia de todos. O desenho animado passava todas as tardes.

'BATMAN' (SERIADO DA TV)



Acredito que ninguém perdia um episódio do seriado 'Batman" que passava todas as tardes. Eu sonhava em ter aqueles instrumentos todos em casa: computadores, cinto de utilidades, batmóvel, etc. e ter a capacidade do Robin para resolver charadas. Coincidentemente, lá pelo 2º ano ginasial, tivemos uma professora de História Geral que, entre trabalhos escritos e colagens, nos desafiava com charadas. Minha imaginação ganhava asas porque coincidiu com o estudo do Antigo Egito e eu me lembrava de um livro das Edições de Ouro, intitulado 'Arte e Técnica do Charadismo: o Guia do Charadista', que tinha a Esfinge estampada na capa. Uns 20 anos depois consegui adquirí-lo.

RECORDAÇÕES DO LUSARDO (2007)

 

 


Por mais de 30 anos, guardei uma recordação do Lusardo - um calendário da Escola Remington de Datilografia, pertencente ao pai dele. Hoje, 28.dez.2007, tive a grata surpresa de receber calendários de 2008 e canetas com a logomarca do escritório de contabilidade dele. Manifesto o meu agradecimento.
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'MULHER MARAVILHA' (SERIADO DE TV)



O seriado 'Mulher Maravilha' passava, possivelmente, na TV Difusora de Porto Alegre, cujo sinal era retransmitido para Bagé na década de 1970.

'OS WALTONS' (SERIADO DE TV)



O seriado 'Os Waltons" era a sensação das tardes sábado, salvo engano, na TV Gaúcha.Tratava de uma família típica do interior dos EUA, com suas dificuldades, alegrias, dissabores, como toda família.

'BAT MASTERSON' (SERIADO DE TV)



O seriado 'Bat Masterson" passava à noite, lá pelas 20 horas, na década de 1970. Eu adorava.

'DANIEL BOONE' (SERIADO DE TV)



O seriado 'Daniel Boone' passava à tarde na televisão. Não me lembro se havia algum dia específico, mas eu não perdia um episódio.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

FELIZ ANO NOVO (2008)



O ano de 2008 terá um significado especial para nós. É o ano em que a maioria de nós chega aos 50 anos de idade. Sim, a maioria é da geração de 1958!
Temos que nos orgulhar desse fato. Muitos não chegaram aonde vamos chegar. Somos privilegiados pelas bênçãos de Deus e pela Mãe Natureza, principalmente porque conseguimos nos reencontrar depois de 31 anos de separação.
Um Feliz Ano Novo para todos com muita Paz, Harmonia e Saúde e o desejo de que consigamos comemorar muitos anos novos pela frente.



(Fonte das fotos: www.microsoft.com, cliparts)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

SECOS & MOLHADOS (1973)



O grupo 'Secos & Molhados' surgiu em 1973 e era formado por Gerson Conrad, Ney Matogrosso e João Ricardo. Não é preciso dizer que chocaram e chamaram a atenção do público pelo jeito andrógino de cantar, rebolar e se maquiar.
Estávamos terminando o Curso Ginasial no Colégio N. S. Auxiliadora.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

FELIZ NATAL - 2007


Fonte: Internet.

O ano de 2007 foi muito importante para a turma do Auxiliadora-1976. Nele conseguimos nos reencontrar e isso é uma grande felicidade.
Um Feliz Natal para todos!

SANTA CASA DE CARIDADE, BAGÉ, RS



De alguma forma, estamos ligados a ela. Nela nascemos, nela fomos medicados, passamos por ela várias vezes. Em frente a ela, morava o Arlindo Almeida.

Fonte da foto: Jornal 'Correio do Sul', de 19.dez.2007.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

EU TE AMO MEU BRASIL (OS INCRÍVEIS)(DÉCADA DE 1970)



A música é do início da década de 1970, sob o governo de Emílio Garrastazu Médici, e era cantada pelo conjunto 'Os Incríveis'. No clipe, obtido no YouTube, aparecem imagens de Brasília, das quadras comerciais, das superquadras (quadras residenciais)mais antigas.

sábado, 15 de dezembro de 2007

O COMPARTIMENTO SECRETO


Por Paccelli José Maracci Zahler

Quando tínhamos aulas à tarde, Mário sempre chegava atrasado após o recreio. Desculpava-se com o padre Erwin, nosso professor, falando de uma indisposição intestinal, e sentava-se com a cara mais deslavada do mundo.
O pátio do colégio era enorme. No meio, ficava o campo de futebol coberto de areia grossa. Do lado direito, o prédio antigo com salas, um laboratório de Física, um pequeno museu no andar superior e o teatro no térreo. Mais à frente, os mictórios a céu aberto, popularmente conhecidos como ‘mijadores’, que ficavam exatamente no muro que separava o pátio do colégio da casa do Carlos Théo Lahorgue, e a cancha de salto em distância.
À frente, ficava a quadra poliesportiva para voleibol, basquetebol e futebol de salão. Ao fundo, o muro com o portão detrás do colégio, onde esperávamos o horário das aulas de Educação Física. À esquerda, algumas árvores e, ao lado delas, um pequeno campo de futebol; o prédio antigo, onde funcionava o clube do Padre Nestor; a lanchonete; o antigo refeitório dos alunos internos; um banheiro; e a entrada dos fundos da igreja.
Movidos pela curiosidade adolescente, começamos a investigar o que Mário fazia após o recreio que o obrigava a chegar sempre atrasado na aula do Padre Erwin.
Descobrimos que ele era assíduo freqüentador do banheiro ao lado do antigo refeitório dos alunos internos.
Perguntado, Mário confirmou que era uma delícia ficar naquele banheiro antes das aulas do Padre Erwin, principalmente, porque ele descobrira que o pessoal da turma mais velha escondia ‘catecismos’ do Carlos Zéfiro (pseudônimo de Alcides Caminha) em um compartimento disfarçado atrás da caixa de descarga, além de conseguir a calma necessária para agüentar aquela aula chata com o professor com voz cavernosa, que parecia ter um ovo cozido na garganta.

É claro que isso permaneceu em segredo por muitos anos. Do contrário, todos os envolvidos seriam descobertos e expulsos do colégio.
Entretanto, cada vez que Mário entrava na sala de aula com a velha desculpa, todos se entreolhavam e davam uma risadinha.

Na hora do recreio, ele não escapava das brincadeiras:
- E aí, Mário, como estão as palmas das mãos?
- Andas muito pálido e com espinhas no rosto, Mário!

O Padre Erwin sempre ficava curioso com as risadinhas no fundo da classe e olhava sério por detrás dos óculos fundo de garrafa. Desconfiado, de vez em quando, colocava todo mundo de castigo, anotava os nomes e mandava bilhetes para casa. Certamente, pensava:
- Eu não sei por que os estou castigando, mas eles sabem a razão do castigo.


(As fotos dos desenhos de Alcides Caminha, cujo pseudônimo era Carlos Zéfiro, foram obtidas na internet)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

'MARGARIDA'


Por Paccelli José Maracci Zahler.

“De tudo que é nego torto do mangue e do cais do porto, ela já foi namorada” (Geni e o Zepelin, Chico Buarque de Holanda)

Eu morava a poucos metros de sua casa ,devia ter uns sete ou oito anos de idade, e sempre o via saindo de casa para entregar marmitas no centro da cidade.
Para falar a verdade, nunca soube seu nome, apenas a alcunha de “Margarida”.
Não é preciso dizer muito sobre o seu jeito de ser e andar. “Margarida” saía de casa rebolando e chamando a atenção por onde passava.
Sempre que passava por alguns adolescentes que conversavam nas esquinas, não escapava das piadinhas.
- Aí, “Margarida”, vai ter hoje?
- Que é isso, não sou dessas, não! – ela respondia.
E os garotos caíam na gargalhada.
Certa feita, alguém perguntou:
- Como é “Margarida”, vamos ali atrás do muro?
“Margarida” respondeu na lata:
- Pra quê, se não me amas?
Ficaram todos estupefatos e um deles resmungou:
- Pô, o “Margarida” agora quer envolvimento emocional! Assim não dá!

Na década de 1970, o “Margarida” já antevia a união estável entre pessoas do mesmo sexo.

DEBAIXO DOS CARACÓIS DOS SEUS CABELOS (CAETANO VELOSO)


Fonte:YouTube.

A música foi gravada por Roberto Carlos, em 1971, no álbum que tem por título 'Roberto Carlos', em homenagem a Caetano Veloso que estava no exílio em Londres durante os 'anos de chumbo'. Aqui, Caetano Veloso a interpreta no show 'Circuladô'.

'QUARENTA-E-QUATRO'


Por Paccelli José Maracci Zahler

“Quarenta-e-Quatro” era um afrodescentende enorme, de 1,80 m de altura e mais de 100 kg de peso.
Ouvi dizer que seu apelido havia sido ganho no quartel, quando sua pederastia teria aflorado, e corresponderia ao seu número de soldado.
Era boa gente, respeitador e ia freqüentemente à barbearia do meu tio. Como, às vezes, coincidia de eu estar lá para cortar o cabelo, eu o ficava observando, achando curiosos os seus trejeitos e seu modo de falar.
Não raras ocasiões, recebia cantadas ali mesmo, bem como piadas de mau gosto e até mesmo ofensas, porém, ele mantinha sempre o seu jeito humilde e nunca brigava com ninguém, pelo menos nunca vi.
Quando ficou grávida, minha tia precisou ir ao INPS (hoje, INSS). Lá chegando, deparou-se com o Quarenta-e-Quatro e outra “amiga”.
Vendo que a minha tia estava grávida, ele, gentilmente, cedeu a vez e pareceu sentir-se incomodado com aquela barriga enorme.
Cutucou a “amiga” e disse:
- Vamos embora, Mona, que esse negócio pega!
Foi uma gargalhada geral na sala de espera porque ficou no ar que o Quarenta-e-Quatro estava com medo de ficar “grávida”.
Quarenta-e-Quatro era tão popular que, quando faleceu, houve comoção geral na cidade.
O jornal e as rádios manifestaram pesar pelo seu passamento.

PONTE SECA (AV. GETÚLIO VARGAS) (2007)


Fonte: http://www.portalbage.com.br (13.dez.2007).


Fonte: Jornal 'Correio do Sul', de 13.dez.2007.

Eu morava perto da Ponte Seca e passei várias vezes por ela para ir ao Campus Rural da FAT-FUnBa (hoje, URCAMP)quando estava fazendo a Faculdade de Engenharia Agronômica.
De minha casa, dava para ouvir o apito do trem às 6 h e às 18 h. Isso acabou quando extinguiram a RFFSA.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

IVELISE E ESPOSO (2007)


Fonte: Orkut.

ROTULADOR


Fonte: internet.
O rotulador foi a maior novidade da década de 1970. Quantas capas de trabalho foram rotuladas com as fitas plásticas impressas nele.

MINHA PRIMEIRA CALÇA JEANS AUTÊNTICA


Por Sergio Fontana

Era ali na Hipólito Ribeiro, entre Tupy Silveira e Osório (em Bagé, lógico), um dos endereços secretos onde se conseguia comprar as legítimas calças e jaquetas Lee. Elas eram trazidas “de contrabando”, de ‘Paso de Los Libres’, Argentina. O preço era exorbitante, proibitivo até. Mas quem podia, não hesitava em pagar para possuir uma ou mais peças.
A “febre” perdurou, pelo menos, durante toda a primeira metade dos anos 70, e o segredo com relação à calça, principalmente, era o processo de envelhecimento: ela ficava mais bonita à medida que desbotava.
Eu também tinha vontade de ter uma calça ou jaqueta daquelas, mas me contentava com a habilidade da minha mãe que conseguia imitar os pontos das costuras da calça Lee em modelos da marca Topeka, Calhambeque, US Top ou similares [ver “calça boca-de-sino (década de 1970)”, das postagens do blog de Setembro, 2007]. Nem sei como, nem com quem, ela conseguia a etiqueta de couro que dizia “Lee” para dar o toque final. Só que em dois ou três meses a farsa podia ser facilmente desmascarada porque a calça Lee de araque não ficava “stone washed” como as Lee de verdade e quem entendia do assunto notava a diferença.
A minha primeira Lee autêntica só apareceu quase no final da década, em 1977, mas nessa altura dos acontecimentos outras marcas famosas já “atropelavam” a dita cuja no Brasil, tais como Levi’s, Fiorucci e Ellus. Com o passar do tempo o mercado do jeans ficou tão diversificado que hoje em dia, para a maioria dos mortais, inclusive para mim, o que menos importa, dentre todas as características do produto, é a marca. Mas que não se diga esta heresia aos adolescentes.

Propaganda da calça Levi's 505

Propaganda da calça US Top

Propaganda da calça Lee

domingo, 9 de dezembro de 2007

CARRINHO DE LOMBA (ROLIMÃ)


Fonte: Internet.

Os carrinhos de lomba (rolimã) eram a nossa alegria nas ruas inclinadas.

CANETAS HIDROCOR


Fonte: Internet.

Sempre usávamos lápis de cor ou lápis de cera. Imagina a loucura que foram as canetas hidrocor, particularmente, Sylvapen.

TÊNIS PARA ESPORTES


Kichute

Fonte: Internet.

Começamos usando Conga ou Bamba. Depois que o Kichute chegou, lá por 1971, foi a maior sensação.

REVISTAS EM QUADRINHOS



Fonte: Internet.

Estas eram algumas das revistas em quadrinhos que líamos. Além delas, o Tio Patinhas, o Pato Donald, Superman, Batman, Tex.

GOMAS DE MASCAR



Fonte: Internet.
Quando íamos ao cinema, na hora do recreio, na rua, costumávamos mascar Ping Pong ou Chicletes.

SUGAR BABY LOVE (THE RUBETTES) (1974)



Esta música fez muito sucesso em 1974, quando estávamos no 2º Científico.

A CIRURGIA DO PUNHO


Por Paccelli José Maracci Zahler

Poucos meses depois de começar a ensaiar na banda do colégio Auxiliadora, meus punhos começaram a doer. Até então eu não sabia a causa, mas percebi que começaram a se formar cistos nas articulações com as mãos.
Eu sofria mais no inverno, onde o frio e a umidade pioravam o problema. Era duro agüentar fazer os exercícios das aulas de Educação Física do Prof. Paulo, particularmente, aquelas que envolviam apoios sobre o solo. Para mim, era uma tortura fazê-los porque os punhos doíam muito. Como eu tinha que obter notas para passar de ano, não podia reclamar. Se reclamasse durante as aulas, poderia receber um castigo, como mais dez apoios sobre o solo, dez pulinhos de galo e assim por diante.
Passei a usar esparadrapos ao redor dos punhos. Sinceramente, eu me sentia ridículo, mas as ataduras de esparadrapo me aliviavam um pouco a dor.
O tempo passou e, quando entrei no Científico, as aulas de Educação Física foram substituídas por partidas de futebol, exceção feita às provas mensais que incluíam o teste de Cooper.
Nas partidas de futebol, como eu não conseguia jogar em nenhuma posição no campo por ser um perna-de-pau autêntico, então, fui escolhido goleiro, como todo perna-de-pau que se preze. Até que conseguia ‘enganar’ a torcida, mas os punhos doíam demais para pegar a bola.
O problema se agravou de tal maneira que, em 1975, tive que largar a banda. O Padre Lino veio me tirar satisfações porque eu estava na banda desde 1971. Eu expliquei o problema e ele classificou como ‘frescura’.
Fui ao médico e ele me disse que eu teria que fazer uma punção porque, possivelmente, se tratasse de um cisto aquoso. Mandou-me esperá-lo em uma sala de cirurgia, enquanto a enfermeira preparava o material.
Comecei a ficar nervoso, a me perguntar se aquilo era realmente necessário e, sem falar nada, fui embora para casa.
Algum tempo depois, consultei outro médico no mesmo hospital. Ele foi mais rápido. Quando dei por mim, estava na sala de cirurgia operando o punho esquerdo, exatamente o da mão que eu utilizava para escrever.
Como fui tomado de surpresa e a anestesia tinha sido local, quase desmaiei umas três vezes durante o procedimento médico e nem me lembrei de pedir um atestado.
No dia seguinte, com a mão enfaixada e com pontos no punho, fui ter com o padre conselheiro para explicar as razões de eu não ter ido à manhã de formação do dia anterior, cuja presença era obrigatória.
Eu me lembro das feições do padre. Ele usava costeletas, tinha os olhos azuis e era um pianista talentoso. Não me lembro do nome dele.
Quando expliquei para ele o que havia acontecido, ele me deixou subindo pelas paredes de raiva porque começou a insinuar que eu havia faltado a aula por motivos pessoais, que tinha enfaixado a mão para disfarçar, fingir, tentar sensibilizá-lo e convencê-lo a não me dar a falta.
Eu discuti feio com ele. Para mim foi uma tremenda ofensa. Entretanto, tive que dar um jeito de voltar ao hospital, entrar em contato com o médico para obter o atestado, do contrário, perderia pontos com a falta na manhã de formação.
Passado o estresse, eu já estava me preparando para a cirurgia do punho direito, porém, uma coisa incrível aconteceu. Não sei se foi por medo ou o susto, mas o cisto do punho direito sumiu por 32 anos.
No ano passado, devido à prática da natação, os cistos voltaram nos dois punhos. Imediatamente, eu me lembrei da cirurgia e do padre conselheiro.
Desta vez, contando com mais recursos, fiz ecografia dos punhos, atestando a presença de cistos aquosos.
O médico me receitou anti-inflamatórios e fisioterapia e me aconselhou a esperar mais um pouco antes de me submeter à nova cirurgia.
Impedido de praticar natação com freqüência devido às dores, passei a fazer exercícios de musculação. Como por milagre, as dores cessaram. Isso me levou a concluir que o problema era a falta de tonificação dos tendões, os quais passaram a doer devido ao esforço repetitivo das baquetas no tarol e, posteriormente, devido ao movimento rotativo dos braços durante a natação.
Se, 32 anos atrás, as aulas de Educação Física fossem voltadas para a tonificação do corpo, a cirurgia não teria sido necessária, mas o Prof. Paulo se esmerava em nos tratar como soldados, aplicando exercícios de quartel.
Uma de suas características era nos dar exercícios puxados depois da volta das férias de verão. Passávamos até duas semanas com dores musculares e ele parecia se divertir com isso.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

"SUCESSO" GOELA ABAIXO


Por Sergio Fontana

Lá em casa nós não utilizávamos o termo “vitrola” para designar o toca-discos. A palavra era “eletrola”. Mas isso pode ter como causa as diferenças de linguagem entre cada micro-região do RS. É que a minha família tem raízes em Rio Pardo e Encruzilhada do Sul, e por lá talvez fosse usual essa denominação. A vitrola do BLOG me fez lembrar de um episódio que não tem nada a ver com o nosso Colégio Auxiliadora, mas que ficou entranhado no meu cérebro pelo número de vezes que escutei uma mesma música em um mesmo dia.
Eu fui visitar a minha prima Beatriz e o meu primo Marco Aurélio, em uma tarde de primavera, em 1972, quando apareceu por lá um outro primo dela, o Zeca, que apesar de ser primo da minha prima, não é meu primo.
O cara chegou entusiasmado, trazendo um compacto, 33 1/3 rotações, e foi direto para a eletrola, comentando, ao mesmo tempo, que o disco estava em primeiro lugar nas paradas. Escutamos com atenção a música do lado A, que foi acompanhada pelos pés de um, outro ou todos, marcando o ritmo. Até hoje não sei o que tinha no lado B do disco porque cada vez que o “sucesso” terminava, um deles ia lá e retornava o braço do toca-discos para o início da música. Desisti de contar as repetições e decidi que nunca mais queria escutar aquilo.
O tempo passou, mas a lembrança ficou viva. E a letra da música era esta aí:

"Eu quero botar meu bloco na rua (por Sérgio Sampaio)

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou

Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos nisso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero todo mundo nesse carnaval...
Eu quero é botar meu bloco na rua

Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender"

E o videoclipe com o autor está aqui embaixo:

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

NA AVENIDA SETE DE SETEMBRO



A foto foi publicada no jornal 'Correio do Sul' de 05.dez.2007 e dá a impressão de que estamos realmente na Avenida Sete de Setembro, próximos da Rádio Difusora.

sábado, 1 de dezembro de 2007

O PROF. BOAVENTURA E EU



Por Lucinei Silveira

Uma briga antiga que eu tinha com o Boaventura, decorria da grafia do meu nome Luci Nei escrito assim mesmo em virtude de um erro no registro. Todos os professores e colegas de aula me chamavam pelo nome completo.Todos menos o Boaventura que insistia em me chamar de LUCI, por este motivo levei inúmeras faltas pois de pirraça na respondia a chamada e quando respondia completando ''NEI, presente''.Isso foi se esticando até que um dia resolvi dar o troco escrevendo no caderno de desenho com aquelas letras desenhadas que ele mandava fazer no inicio do ano: Prof. ''ROSA''
A partir desse dia ele nunca mais largou do meu pé, examinando todos os dias o meu material de desenho.Fato que acarretava perda de pontos na famosa lista negra e me levou a única recuperação nos tempos de Auxiliadora.
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AS PERIPÉCIAS DO ZEBU


Por Ivelise Storniolo Garcez

O apelido do Elton não é "Touro" é "Zebu".
Nos conhecemos há muitos anos. Nossos pais são amigos desde solteiros.
O Zebu mora em Bagé.
Na história da bomba (ver O SÃO JOÃO DO ELTON), eu estava junto, foi na frente da minha casa na Rua Fabricio Pilar.
Mas o Zebu tem várias histórias desastradas.
Fomos convidados para uma festinha na casa do Cabeção,nosso colega.O Zebu chegou com tudo, derrubando uma árvore de Natal linda que estava na entrada.Quase morremos de vergonha da mãe do Cabeção.
Outra vez, nós estávamos brincando de apertar a campainha da casa dos vizinhos, nossa brincadeira predileta.O Zebu enfiou a cabeça na grade para poder alcançar e a gurizada apertou a campainha bem nessa hora. Saímos todos em disparada e ele ficou entalado na grade ouvindo aquele senhor chato xingá-lo.
Estávamos prontos para um baile de carnaval infantil e o Zebu chegou todo bonitão .Calça branca e camiseta listrada - o verdadeiro malandro. Nessa época, o INSS estava em obras e nós brincávamos por ali. Pois não é que o Zebu resolveu se esconder justamente lá? Quando ele apareceu ninguém conseguia chegar perto porque o cheiro era insuportável.
Do joelho pra baixo estava tudo marrom. Os caras da obra tiraram a "casinha" usada como banheiro e não taparam o buraco.
Nós estávamos sempre inventando coisas e motivos para brincar.
Um dia os guris resolveram brincar com pneus de carro e o Zebu, sempre muito criativo, entrou num pneu e se jogou ladeira abaixo, na Rua Fabricio Pilar. Se não me engano ele só quebrou um braço.
Em uma dessas brincadeiras , construímos um carrinho de lomba (rolimã) e fomos para um morro ao lado da Santa Casa. Estávamos brincando quando, de repente, o Zebu sumiu no meio de um matinho.Só que o matinho era um espinheiro. Já viu como ele apareceu, né?
Tem muita história do Zebu pra contar!
É muito bom lembrar dessas histórias.

ANIVERSÁRIO DO PADRE ROBERTO GERMANO (08/05/1969)

 

A foto é do aniversário de 89 anos do Pe. Roberto Germano no dia 08.05.1969, e não 1989 como está na foto.
Da direita para a esquerda: o 2° parece ser um funcionário "Rodolfo(?)"; o 3° o Professor Adão; o 4° o Prof. Carlos Storniolo e o filho Carlos Airton; o 5°, de casaco branco, parece o Prof. Contreiras; o mais alto, ao lado da senhora de óculos, o Prof. Boaventura Miele Rosa.
Da esquerda para a direita: o 2° é o Prof. Getúlio
Ao Centro, de batina, o Pe. Roberto Germano; ao seu lado, parece ser a Madame "Backet".
O Padre Roberto Germano foi um dos fundadores do Colégio N. S. Auxiliadora, como poder ser lido na página do colégio na internet:

"Desde o ano de 1904 os Salesianos de Dom Bosco marcam presença na Educação da Sociedade Bageense. Neste ano, o P.Carlos Pereto, Inspetor Salesiano do Uruguai, enviou os Padres André Dell´Occa, Ezequiel Fraga, Roberto Germano e João Illardia, para fundar em Bagé o Ginásio Nossa Senhora Auxiliadora. Inicialmente foi utilizado um prédio onde funcionava a Enfermaria Militar. Desde esta época o Colégio vem funcionando, sem nunca ter sofrido alguma interrupção nas suas atividades educacionais." (http://www.colegioauxiliadora.g12.br)

Colaboração: Ivelise Storniolo Garcez.
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terça-feira, 27 de novembro de 2007

SERIADO 'KUNG FU' (ABERTURA)


Fonte: YouTube.

Se não me engano, era nas noites de quarta-feira que o seriado passava na televisão.
Muitos de nós não perdia um episódio, comentado no dia seguinte na hora do recreio.

OS ALQUIMISTAS ESTÃO CHEGANDO (JORGE BEN) (19/05/1974)


Fonte: YouTube.

Nós ouvimos e curtimos muito esta música.
'Os alquimistas estão chegando', cantada por Jorge Ben (antes de se tornar Jorge Benjor), em 19/05/1974, para o Programa 'Fantástico' da Rede Globo de Televisão, coincidiu com o início dos nossos estudos de Química Geral.
Ouvindo a música, nos reportamos ao estudo da Química.

sábado, 24 de novembro de 2007

NA VITROLA


Fonte: YouTube.

Era na vitrola que escutávamos nossas músicas usando discos de vinil.
A música reproduzida aqui é 'Amazing Grace', composta pelo inglês John Newton, por volta de 1782, e executada em gaita de fole por 'Royal Scots Dragoon Guards" em 45 rpm.
A letra da música diz o seguinte:

"AMAZING GRACE"

Amazing [x4]

Amazing grace
How sweet the sound
That saved a wretch like me
I once was lost
But now am found
Was blind but now I see

Amazing grace
Shall always be my song of praise
For it was grace that brought my liberty
I'll never know
Just why Christ came to love me so
He looked beyond my faults and saw my need

Hallelujah [x4] "

(Fonte:http://letras.terra.com.br/eternal/147455)

Ou traduzido:

"* Sublime graça
1. Sublime graça que alcançou
Um pobre como eu,
Que a mim, perdido e cego achou,
Salvou e a vista deu!

2. De vãos temores e aflição
A graça me livrou
E doce alívio ao coração
Em Cristo me outorgou.

3. Se lutas vêm, perigos há,
Se é longo o caminhar,
A graça a mim conduzirá
Seguro ao santo lar.

4. A Deus, então, adorarei
Ali, no céu de luz,
E para sempre cantarei
Da graça de Jesus."

(Fonte da letra:http://rodomar.blogspot.com/2007/09/histria-de-john-newton-e-amazing-grace.html)

EDUARDO MARTINS (DADO) (2007)


Fonte da foto: Orkut.

Eduardo Martins, o Dado, reside em Porto Alegre, RS.

RIVELINO


Por Sergio Fontana

A Copa da Alemanha - a de 74, não a de 2006 – não teve o resultado que todo o Brasil esperava apesar de lá estarem presentes os maiores jogadores do futebol brasileiro da época.
Um encontro com o carrossel holandês – apelido da seleção da Holanda, que apresentou um futebol veloz e dinâmico, sustentado por excelente preparo físico, onde os jogadores trocavam de posição o tempo todo, atacavam e defendiam em bloco – tirou a nossa seleção da final, e a falta de motivação na disputa pelo terceiro lugar com a Polônia, nos empurrou para um modesto quarto lugar.
Roberto Rivelino, meia-esquerda criado no S.C. Corínthians Paulista, foi o capitão da seleção canarinho. Ele se destacava pela personalidade e chute (só de canhota) fortes, pelo futebol elegante e também pelo seu vasto bigode, digno de um bandoleiro mexicano. Era moda, no Brasil, um bigode daqueles, assim como era moda “cultivar” largas costeletas (suíças), a calça boca-de-sino, o cinto de couro um pouco mais largo, a corrente com medalhão de “Y” invertido (símbolo de paz e amor) pendurada no pescoço, o sapato – meio esquisito para homem - de plataforma, o cabelo comprido ou, dependendo da genética, estilo ‘black-power’.
No Auxiliadora daquele tempo, não se observava extravagâncias de nenhum tipo na aparência e no modo de vestir de alunos e professores; éramos ainda adolescentes, e os nossos professores eram, na sua maioria, os próprios padres ou aspirantes a padres, o que justificava as suas roupas e atitudes discretas. Assim, qualquer alteração de comportamento ou mudança de aparência – para melhor ou para pior – inventadas por um colega ou professor mais ousado era motivo para estrondosas gargalhadas e apelidos variados, até que fosse encontrado o mais apropriado para o caso.
Eu nem sei mais em que ano foi; se em 75 ou 76. Só sei que um dia ele apareceu com o bigode diferente; diferente do que costumava usar. Não chegava a parecer com o tal bandoleiro mexicano porque não tinha a cara de mau, mas se a tivesse não ia ficar devendo nada para o Fernando Sancho – bandidão dos filmes de faroeste italianos. Entramos pelo portão dos fundos, nos fardamos e iniciamos o aquecimento para a aula de Educação Física; algumas voltas no pátio, correndo a passos curtos e lentos. Depois a aula propriamente dita que era, na verdade, só futebol, atividade apreciada por todos os alunos indistintamente. O professor jogava junto e, respeitosamente, não usava força excessiva, nem disputava lances com os alunos que envolvessem o corpo-a-corpo, obviamente visando preservar a integridade física dos mesmos. Times escolhidos; jogo iniciado; correria para um lado e para o outro, aliada à gritaria dos jogadores pedindo para receber a bola. Quando o “Fulano” pegava a bola, vinham gritos de todos os lados: “Fulano, Fulano!”; bola com o “Beltrano”: “Beltrano, Beltrano!”; bola com o Professor Paulinho: “Rivelino, Rivelino!”. E ele não gritava, não falava e não passava a bola. Bola com ele de novo, e a gritaria: “Rivelino, Rivelino!”. E de novo a mesma reação. Um apito mais forte alguns minutos depois, marcou o término do jogo e, conseqüentemente, da aula de Educação Física daquele dia. Uns dias depois, outra aula e... mais futebol (?)
Uma volta no campo, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, ..., depois o barulho do apito interrompendo a corrida e anunciando o final da aula. As quatro ou cinco aulas seguintes foram ainda mais instrutivas: umas voltas no campo e ginástica bem puxada. Entendemos o recado, embora continuássemos, durante as corridas de aquecimento, a “gritar” em cochichos: “Rivelino, Rivelino!”

Post scriptum: Em um ou dois meses depois tudo voltou ao normal. O bigode cresceu e virou cavanhaque e os jogos de futebol da nossa turma perderam um craque da seleção, mas ganharam novamente a presença do nosso mestre da Educação Física, Prof. Paulo Roberto de Oliveira, o Paulinho.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

RECORDAÇÃO AMARGA


Paccelli José Maracci Zahler

Silvinho foi nosso colega por pouco tempo, o suficiente para ficar traumatizado com algumas atitudes autoritárias e repressivas durante a vigência da ‘lista negra’, onde turmas foram mescladas, grupos desfeitos, colegas obrigados a assinar ‘termos de ajustes de conduta’, colegas ‘convidados’ a trocar de colégio. Foram nossos ‘anos de chumbo’. Nenhum atraso era admitido, todavia, sempre seguidos de bilhetes para os pais.
Fui encontrado pelo Silvinho, por acaso, em um centro comercial de Brasília, há algum tempo atrás.
Achei incrível ele ter me reconhecido após tantos anos. Eu não tinha a mínima idéia de quem era aquele senhor de cabelos grisalhos e já avô.
À medida que conversávamos, dada sua insistência, fui refrescando a minha memória. Mesmo assim, estava difícil lembrar-me dele. Entretanto, tínhamos um ponto em comum, o fato de termos estudado no mesmo colégio, na mesma época.
Entre uma conversa e outra, veio à tona o período da ‘lista negra’, uma pasta classificadora de cor preta, onde tudo era anotado nominalmente: brigas, brincadeiras, piadas, atrasos, indisciplina, gentilezas, boas apresentações de trabalhos, boas provas.
De um momento para outro, Silvinho ficou com os olhos marejados e me disse que, até hoje, não havia superado um trauma sofrido naquele período.
Como ele era novo no colégio, ficara impressionado com a quantidade de apelidos dos alunos e professores. Alguns interessantes, que descreviam a personalidade das pessoas, outros jocosos e maldosos, até ofensivos, mas todos levavam na brincadeira. Isso pouco importava para os púberes e adolescentes que só pensavam em aproveitar aquela época de forma inconseqüente.
Silvinho não tinha idéia de quanto tempo ainda ficaria no colégio porque seu pai era militar e podia ser transferido a qualquer momento para outra cidade. Assim, um dia na biblioteca, teve a idéia de anotar em uma folha de caderno uma relação de apelidos para guardar de recordação:
“Relação de Apelidos do Auxiliadora:
Avelino, o feminino; Ana Banana; Zebu; Xiru; ‘Miss Pig’; Átila, o huno; Ferrugem; Fumacinha; Ernesto Honesto; Diabo; Zé Peido; Porconcelos; Silveira Carrapato nas Cadeiras; Nestor Fiofó Indolor; Alberto Fiofó Aberto; Mosquito; Erwin Fiofó Sem Fim; Cavalão; Vampiro; Dr. Jeckill; Caveira; Dado; Jacaré;Gam; Betinho; Cachorrão; Amigo da Onça; E.T.; Cachorro Louco; Touro Sentado; Venenosa...”
Quando Pedrinho sentou-se ao seu lado e viu a lista, o advertiu a tomar muito cuidado porque a ‘lista negra’ também valia para a biblioteca.
O colégio inteiro estava sob a égide da ‘lista negra’, tanto que o diretor chegava de mansinho em cada janela das salas de aula para observar o desempenho dos professores e o comportamento dos alunos.
Quando caiu em si, Silvinho disse-me ter sentido um calafrio e ter ficado em pânico.
Para piorar, o responsável pela biblioteca, um aspirante a padre, parecia onipresente, olhando, conferindo, anotando, prestando atenção em tudo.
Quando alguém precisava de um livro, entregava um pedido e ele ia até a estante pegá-lo. Antes de entregá-lo, observava o estado de conservação, verificava as páginas e, se o livro fosse devolvido com algum risco a mais, mesmo de lápis, o nome do aluno passava a integrar a ‘lista negra’.
Silvinho continuou seu relato dizendo ter ficado apavorado ao pensar na possibilidade de ser flagrado pelo bedel e expulso do colégio, pois isso iria prejudicá-lo no ingresso no próximo colégio. Então, pegou o pedaço de papel e, sem fazer barulho, picou-o e jogou-o na lixeira da biblioteca. Com tremores pelo corpo devidos ao medo, foi embora para casa planejando não aparecer na biblioteca por algumas semanas.
No dia seguinte, o colégio estava em polvorosa porque o diretor estava procurando o autor daquelas ‘indecências’ encontradas em pedaços de papel na lixeira da biblioteca.
Silvinho ficou atônito ao saber que o dedicado bedel dera-se ao trabalho de vasculhar a lixeira da biblioteca para encontrar ‘provas’ de desrespeito e indisciplina. Ele encontrara os pedaços de papel e os montara como se monta um quebra-cabeças, entregando-os ao diretor com a recomendação de recolher a caligrafia de todos os alunos para descobrir o autor das ‘indecências’ e expulsá-lo exemplarmente do colégio.
Silvinho teve crise nervosa, perdeu o sono, fez tratamento com psicólogo, contudo, para sua sorte, seu pai foi transferido antes que a coisa tomasse vulto. Trocou de colégio e respirou aliviado.
Ainda hoje, ao lembrar-se do episódio, o passado retorna e ele não consegue segurar as lágrimas.
Perguntou-me se eu sabia a razão para uma atitude tão rigorosa e repressora para uma brincadeira de criança, para uma anotação pessoal.
Eu não soube responder, porém revelei que um dia achei uma paródia interessante e a anotei em um pedaço de papel, quando estudava em um colégio de freiras.
A paródia dizia assim:
“Estava à toa no banho,
O chuveiro fechou,
Resvalei no sabão,
Caí de bunda no chão.”
A professora viu a minha anotação, me deu uma chamada na frente de toda a turma por ter escrito uma ‘indecência’ e escreveu um bilhete para os meus pais, exigindo uma corrigenda.
A vida me ensinou que existem coisas piores: roubar dos pobres, corromper-se, locupletar-se com o erário, explorar menores e desvalidos, prejudicar as pessoas para beneficiar-se.
Nossa conversa terminou e nunca mais reencontrei o Silvinho.