terça-feira, 20 de setembro de 2011

A PAZ ESQUECIDA

 
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| CIDADE
por: Melissa Louçan

[22H:54MIN] 20/09/2011 - SEMANA FARROUPILHA

A paz esquecida

Como o acordo que selou a paz para os gaúchos ainda fica à sombra da guerra

Naquele 1º de março de 1845, as verdejantes coxilhas, chamadas de Ponche Verde, que antes já haviam se tingido de rubro pelo sangue derramado na revolução que varria o Rio Grande do Sul há quase10 anos, agora testemunhavam algo que há alguns anos antes seria impensável: um tratado de paz.
Há alguns meses em estado de armistício total, os soldados farrapos, exaustos e famintos, aceitaram por unanimidade as 12 cláusulas do tratado de pacificação, lidas em 25 de fevereiro por Antônio Vicente da Fontoura. O acordo, anteriormente assinado pelo Barão de Caxias representando o Império, foi aceito pelo então comandante em chefe do exército republicano, Davi Canabarro, também incumbido de representar a República, estando Bento Gonçalves afastado pelos problemas de saúde que o levariam à morte alguns anos mais tarde.
O tratado, mais tarde chamado de Paz de Ponche Verde, previa, entre outras coisas, o perdão a todos os soldados republicanos, a soltura dos prisioneiros farrapos que estavam em posse do Império e a dispensa do recrutamento dos republicanos para o exército imperial. Porém, não previa a libertação dos negros que lutaram ao lado dos farroupilhas em troca de liberdade, pois o Império temia um levante dos escravos do resto do país.
Atualmente, a área onde foi assinado o tratado pertence à região de Dom Pedrito. A cidade, que ficou conhecida como Capital da Paz em razão deste episódio erigiu um monumento marcando o local onde o acordo foi selado. O Obelisco da Paz fica a 45 quilômetros do centro da cidade, e hoje é conhecido como um atrativo turístico.
A assessora de Tradição, Folclore e Turismo de Dom Pedrito, Gladis Marly Xavier, conta que de 23 de fevereiro a 1º de março, é comemorada na cidade a Semana da Paz, que relembra a data da assinatura do histórico acordo. Ela comenta a importância da data para a cidade. “A Paz do Ponche Verde foi um marco depois de um período muito longo de lutas que esgotaram a todos”, afirma.
Apesar da importância da data, ela também afirma que a comemoração do dia 20 de Setembro acaba por nublar as comemorações da Semana da Paz. Conforme afirma, apenas em Dom Pedrito esta data é reconhecida e lembrada com festividades, mesmo que, timidamente. “Acredito que esta data deve ser comemorada com mais intensidade do que a Semana Farroupilha, pois ela celebra a paz, e não a guerra. Mas para isso, dependemos, entre outras coisas, das escolas, para que todos tenham conhecimento desta página da história, que embora esquecida, deveria ser orgulho para todos”, explica.
Já o pesquisador e curador do Museu Paulo Firpo, Adilson Nunes, afirma que a Revolução Farroupilha já faz parte da tradição rio-grandense, portanto, é natural que seja lembrada com exaltação. “Não podemos esquecer que a Guerra dos Farrapos já está incorporada na identidade regional do gaúcho, pois tinha como ideal a defesa da liberdade, da nossa terra, coisas que ainda hoje prezamos e valorizamos”, explica ele.

Fonte: Jornal MINUANO, Bagé, RS, edição de 20.set.2011 (www.jornalminuano.com.br)

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